terça-feira, 28 de janeiro de 2014


Entidades Inobserváveis

Segundo artigo do professor adjunto do Instituto de Biociências da UNESP, Alfredo Pereira Júnior, publicado no site Scielo, todas as ciências lidam com entidades inobserváveis e com a postulação de sua existência, desde a física de partículas à astrofísica. Isto tornou-se uma rotina.

Essa ação requer o uso da abstração em lugar da imaginação, mas esses postulados não questionam o caráter científico desses estudos e tampouco as ciências são intimadas a fornecer provas inquestionáveis da existência das mesmas. Porque deveríamos então, dar provas inquestionáveis da existência de Deus?

Carlos Carvalho


Referência:


Uma abordagem naturalista da consciência humana. Publicado e disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732003000200006

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014


O antídoto de Jesus para a violência

Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis?...
Mateus 5.43-46

Este texto está inserido no famoso Sermão da Montanha de Jesus. Entre tantas outras máximas de vida, de comportamento adequado e de relacionamentos, encontramos pérolas como essa. Eis aqui o remédio contra toda a forma de violência no mundo, eis aqui o antídoto para esse veneno que mata milhões de seres humanos por ano: o amor prático.

Este não é aquele amor jargão que é veiculado diariamente nos meios midiáticos ou liberado como fonte de anseio por aqueles que apenas propagam “um mundo melhor” e nem o tipo de amor libertino no qual certas pessoas desejam “libertar” toda a sua libido sexual sem serem limitadas por algum freio moral.

O amor ensinado por Jesus não é um sentimento que se obscurece pelas circunstâncias quando elas não são favoráveis. Seu amor é pleno, amplo e tem o poder de alcançar por ações concretas até mesmo os que não nos desejam o bem ou nos odeiam.  Nietzsche (1844-1900) diria que esse tipo de amor é uma fraqueza, mas ele estava errado e ele nem viu os horrores das duas grandes guerras mundiais, tampouco a violência endêmica de nossos dias.

Hoje todos nós clamamos pela paz e lutamos como podemos contra a violência qualquer que seja. Hoje sabemos que precisamos do tipo de amor pregado por Jesus na vida diária de cada ser humano com a finalidade de frear a escalada da violência que não para de crescer. Sem esse tipo de amor prático, toso o resto é apenas discurso vazio e desprovido de poder de mudança e de transformação.

A seleção natural dá suporte conceitual a esse tipo de violência, pois somente o mais forte sobrevive, mas nenhum de nós em sã consciência aceitaria essa declaração como uma verdade, pois ninguém deseja viver em um mundo com medo e dominado pelas formas de violência que vemos. A solidariedade e a continuidade da vida são simbiontes e essa simbiose é regada pelo amor prático, sem isso, a destruição das sociedades é certa.

Encontramos violência nas formas religiosas extremistas, encontramos violência nos governos humanos, nas mais diferentes classes, nas tribos mais primitivas, nas sociedades mais socialistas, comunistas ou capitalistas, a violência é encontrada nos ateus e em sua militância e nas ideologias de todos os modelos. Em todo lugar a vemos manifestar-se disfarçada ou abertamente.

Tenho total confiança que toda essa violência teria um fim se todos nós resolvêssemos viver o amor prático que Jesus nos ensinou. Não estou ingenuamente acreditando em um mundo de conto de fadas onde no final “viveremos felizes para sempre”, e não digo que, mesmo num mundo governado pelo amor prático, não houvesse crimes ou lutas das mais diversas, penso que essas lutas e guerras seriam em grande escala minimizadas, e, em certos casos, jamais aconteceriam.

Também é claro que não conseguiremos agradar a todas as pessoas e não sentiremos atração ou aceitação por outros por diversos motivos, pessoais ou culturais, mas isso não significa que o respeito pela vida do outro não seja o árbitro nestes casos. Não concordaremos com tudo aquilo que outros possam acreditar nem é necessário anular as opiniões pessoais que temos, mas podemos divergir sem violência.

Como cristão, tenho opiniões formadas sobre diversos assuntos da vida e do comportamento, assim como outros grupos as têm, porém, não posso ser desmerecido ou insultado porque meus conceitos são diferentes dos outros e porque eles vão contra as crenças ou certo estilo de vida diferente de alguém. Não posso ser calado, tanto quanto não posso calar a ninguém. Num mundo de liberdades, não posso ser proibido de manifestar minhas crenças a quem quer que seja, mas neste mesmo mundo, não posso obrigar ninguém a converter-se à minha fé.

A violência jamais será cessada ou exterminada por atos executivos, leis ou emendas constitucionais, ela só perderá o seu poder destrutivo quando reconhecermos a necessidade de viver este amor prático ensinado por Jesus. Aí perceberemos com provas inquestionáveis que os princípios espirituais do cristianismo de Cristo são a resposta que o mundo tanto anseia e não vê.

Pensem nisso!

© Carlos Carvalho

22 de janeiro de 2014

domingo, 5 de janeiro de 2014


UM PLANETA ADEQUADO À VIDA

Reproduzo aqui uma parte de um pequeno artigo de William J. Tinkle. Ele é Ph.D. e Professor Emérito de Biologia no Anderson College, Indiana, U.S.A.

As propriedades físicas e químicas da água e da atmosfera mostram uma "adequação" do ambiente para a vida, como já ressaltado de maneira interessante por William Whewell e J. Henderson. Este artigo contém uma recapitulação dessa evidência, em testemunho da criação divina do ambiente físico e químico adequado à vida.

É bem sabido que os seres vivos são constituídos de tal maneira que se ajustam perfeitamente ao seu modo de vida. Assim, as aves aquáticas têm pés membranosos, as aves de água rasa têm pernas e bicos compridos; as plantas têm folhas em que a luz solar combina a água e o gás carbônico para formar açúcares para utilização da planta. Os animais que comem folhas e ervas tem estômago e intestinos grandes para conter as grandes quantidades de alimento que têm de comer. Os peixes têm uma forma afilada que os capacita a se deslocar pela água com o mínimo de resistência.

Uma lista bastante extensa dessas estruturas úteis poderia ser compilada. O fato importante é que a Terra apresenta condições que se ajustam a essas estruturas dos seres vivos. O Dr. Henderson já afirmava:
“Em suas características fundamentais, o meio ambiente atual é a habitação mais ajustada possível para a vida. Tal é a tese que o presente trabalho procura defender. Esta não é uma hipótese recente. De forma rudimentar apresenta atrás de si uma longa história, e já era uma doutrina conhecida no inicio do século XIX” (1).

A Terra foi planejada e construída de tal maneira que pudesse prover à necessidades e requisitos dos seres vivos. Observadores argutos têm atribuído essa correspondência à existência de um propósito no plano do Criador. Entretanto, os que acompanham o pensamento negativista e as dúvidas do século XX, deixam esse crença para trás, preferindo atribuir essa relação de reciprocidade ao acaso.

William Whewell (1794-1866) foi o autor de um dos "Tratados de Bridgewater" intitulado "Astronomy and General Physics Considered with Reference to Natural Theology" (Astronomia e Física Geral consideradas em relação a Teologia Natural), em 1834. Mestre do "Trinity College" por 25 anos, Whewell foi um dos mais poderosos homens de Cambridge durante o período da reforma educacional. Recebeu uma medalha da "Royal Society" pelo seu trabalho sobre marés, e deu a Faraday a nomenclatura desejada para seu trabalho sobre eletricidade. Devem se a Whewell termos tais como "anodo", "catodo", "ion", "anion", e "cation"(4). Whewell discute dezenove leis que indicam que o mundo foi formado propositadamente para ser o lar dos seres vivos. Henderson comenta: "É difícil entender como tais ideias puderam cair no esquecimento" (5).

O pouco espaço não permite comentar todos os argumentos de Whewell a respeito da existência de um propósito na criação, porém não se pode deixar de mencionar um dos mais destacados, referente à água. A água, como as demais substâncias em geral, expande-se quando aquecida, e contrai-se quando resfriada. Entretanto, ela se afasta deste comportamento, de maneira notável, ao se congelar. A água apresenta a maior densidade (menor volume) a temperatura de 4 ºC. Ao diminuir mais a temperatura a água se expande até que a O ºC ocupa um volume cerca de 1/9 maior, mudando então de estado, de líquido para sólido. Essa expansão que se dá no congelamento é conhecida nos países frios devido a ruptura de encanamentos e radiadores de automóveis no inverno, parecendo por isso ser inconveniente. Entretanto, para os seres vivos em geral, e indiretamente para o homem, é ela uma vantagem incontestável.

A expansão do gelo faz com que ele possa flutuar em qualquer corpo de água, enquanto que, se fosse obedecida a regra geral da contração no resfriamento, ele se depositaria no fundo do rio ou lago, solidificando em pouco tempo a massa restante. Embora se conheçam peixes que viveram após terem sido congelados, não suportariam eles um congelamento prolongado, pois sofreriam perda de suas funções vitais. As massas d'água congeladas derreteriam muito lentamente em consequência da camada de água líquida em escoamento sobre o gelo, a qual as protegeria da ação do ar quente. Nos climas temperados não haveria tempo para o derretimento até o fundo, antes de iniciar-se novamente a fase de congelamento no inverno (se a água seguisse a regra geral de expansão).

Tem sido repetida em classe muitas vezes uma demonstração atribuída a Rumford. Insere-se em um tubo de ensaio com água, um pedaço de gelo, mantendo-o no fundo por um suporte qualquer. Então a parte superior do tubo de ensaio é levada a uma chama até que a água da superfície entre em ebulição, enquanto ainda permanece no fundo o pedaço de gelo. Isso é possível porque a água quando aquecida expande-se, desloca-se para cima e lá permanece. Essa anomalia da expansão da água ao se congelar sem dúvida impede a extinção de inúmeros habitats aquáticos com suas flora e fauna abundantes. Por outro lado, as perdas ocasionadas pelas rupturas devido ao congelamento podem ser evitadas, porquê o congelamento se dá sempre a temperatura conhecida.

A própria presença da água na Terra é um fato que desperta nossa admiração. Muito tempo antes dos primeiros astronautas desembarcarem na Lua sabia-se que lá não há água, pois não se observavam nuvens que obscurecessem a sua face, nas observações telescópicas. Fotografias e medidas feitas mostram muito pouco ou nenhum vapor d'água em Marte. Vênus e Mercúrio são demasiado quentes para conter água no estado sólido ou líquido. Júpiter, Neptuno e Plutão estão muito distantes para se detectar algo com precisão, porém não revelam evidências de abundância de água. A Terra é, assim, singular, por apresentar essa substância tão abundantemente.

Características Físicas da Água
As características físicas e químicas da água fazem-na muito mais útil aos seres vivos do que qualquer outro líquido. Sua constituição é de tal forma que ela dissolve mais substâncias do que qualquer outra, com exceção talvez da amônia. No corpo humano os alimentos se dissolvem no sangue e os detritos na urina. As plantas dissolvem seu alimento na seiva. A água, sendo quimicamente inerte, não altera esses solutos, mas tão somente os transporta. A água é peculiar também pelo seu elevado calor específico (a quantidade de calor, em calorias, necessária para elevar de um grau centígrado a temperatura de um grama da substância). A tabela seguinte (apud Henderson, op. cit.) indica que a água tem calor específico mais alto do que as demais substâncias, com exceção da amônia e do hidrogênio:

Substâncias
Calores específicos(cal g/ºC)
Água sólida
1,00
Água líquida
0,50
Vapor d'água
0,3 - 0,5
Chumbo
0,03
Ferro
0,1
Quartzo
0,19
Sal
0,21
Mármore
0,22
Açúcar
0,30
Amônia
1,23
Clorofórmio
0,24
Hidrogênio
3,4
Álcool etílico
0,5

Propriedades Adequadas para o Homem
O que esses fatos significam para o ser humano? Um homem pesando oitenta quilos produz em repouso cerca de 2400 calorias diariamente, o que seria suficiente para aumentar de cerca de 30 ºC a temperatura de seu corpo. Na realidade, o calor em excesso é removido pelo sistema termo-regulador do corpo, a menos que o organismo esteja com febre. Essa remoção proporciona não somente conforto, como também constitui um meio de evitar a aceleração das reações químicas.

Esse importante controle térmico é possível porque a água é a principal substância componente do corpo humano, e porque ela apresenta um elevado calor específico. Se o corpo humano fosse constituído preponderantemente por outra substância com calor específico em torno da média das apresentadas na tabela anterior, o calor produzido seria suficiente para aumentar a temperatura de cerca de 100 ºC. Considere-se ainda o calor latente, que é armazenado e não mensurável pelo aumento de temperatura, ao contrário do calor sensível. Sem dúvida o leitor já observou que ao lavar as mãos, ao tentar enxugá-las abanando-as no ar, sente a sensação de frio.

Quando uma substância se evapora do estado líquido, ou se liquefaz do estado sólido, absorve certa quantidade de calor. Essa mesma quantidade de calor deve ser retirada para o vapor se condensar, ou para o líquido se solidificar. No início de uma chuva há sempre um aumento de temperatura porque o vapor d'água está se transformando em gotas de chuva liquidas. Da mesma maneira, após a chuva, ao aumentar a evaporação, há uma diminuição da temperatura. A Tabela seguinte dá os valores do calor latente de evaporação de várias substâncias, em calorias por grama:

Calor latente (cal/g)
Água
536
Amônia
295
Cloro
67,4
Oxigênio
58
Enxofre
362
Gás Carbônico
72,2
Mercúrio
62

Tem-se aqui a base de um dos mecanismos de resfriamento do corpo humano. O suor espalha-se sobre a pele, e sua evaporação remove o excesso de calor do corpo. A evaporação da água em lagos e rios remove o calor do ar em suas imediações. Por essa razão as ilhas e penínsulas são livres de calor excessivo, ao mesmo tempo em que o congelamento da água no inverno lhes proporciona algum calor. As propriedades da água são bem adequadas às necessidades dos seres vivos (6).

Adequação da Atmosfera
Dos fatos anteriores não somente se vê que os seres vivos apresentam necessidades, como também se torna evidente a notável verdade de que o meio ambiente é formado de maneira tal que supre essas necessidades. Como se sabe, o ar é admiravelmente ajustado para os seres vivos. Atente-se para o que poderia parecer acaso. Há enxofre no solo e nos alimentos tais como ovos, porém não na atmosfera, exceto nas imediações de vulcões e das indústrias químicas estabelecidas pelo homem. Deveríamos ser gratos pela ausência dos compostos de enxofre tais como o gás sulfídrico (o mal cheiroso gás característico de ovos podres) e o bióxido de enxofre, usado para matar bactérias e insetos.

Considere-se o importante gás, o oxigênio, que constitui cerca de 20% da atmosfera e é essencial a vida do homem e dos animais. Teria sido possível a sua combinação com outras substâncias, não houvesse um planejamento na criação da Terra. Ele poderia ter-se combinado com hidrogênio para formar água, ou com silício para formar areia. Há quem diga que isso foi o que se passou, e que o oxigênio existente na atmosfera proveio de diatomáceas e outras plantas do oceano. Porém, mesmo nessas condições não deixariam de existir evidências de um propósito.

As plantas foram formadas com a capacidade de liberar oxigênio, não para o seu próprio beneficio, mas para o incontável beneficio da humanidade e dos animais em geral. E realmente difícil descartar-se da existência de um propósito ao se considerar a existência do oxigênio em estado livre. O bióxido de carbono é necessário para a construção das raízes, caule e folhas, enquanto que o monóxido de carbono é um gás venenoso não encontrado normalmente na atmosfera, mas só nos gases de escapamento dos motores de combustão interna. O bióxido de carbono é um constituinte normal da atmosfera, sendo expirado pelos animais e homens, e absorvido pelas plantas para tornar possível seu crescimento.

O hidrogênio, um dos elementos que compõem a água, não se encontra em estado livre na atmosfera. Se o fosse, unir-se-ia com o oxigênio com grande ruído, à simples ação de uma chama, conforme costumeiramente mostrado nos laboratórios de química. Amônia é outro gás que a infinita Sabedoria excluiu da atmosfera.

O planejamento não pode ser excluído
Há pessoas que, não aceitando o propósito divino como explicação para a vida, preferem aceitar a possibilidade de transformação de um pedaço qualquer de matéria inerte em um ser vivente. Ressaltam que, dado tempo suficiente, pode ocorrer o evento improvável. Assim, o acaso produziu todos os tipos de plantas e animais, tendo permanecido os que se adaptaram, e sendo extintos os demais. Se tal processo tivesse ocorrido, os fósseis que fossem encontrados seriam tipos bizarros, sem relação alguma com o seu meio ambiente. Porém, longe de serem criaturas não adaptadas, produtos do acaso, foram eles de mesmo tipo que os seres vivos atualmente, podendo ser classificados nos fila das criaturas vivas atuais. Tais hipóteses são claramente ad-hoc, feitas para evitar o reconhecimento da criação divina.

Entretanto, mesmo que a seleção natural tivesse sido inteiramente eficaz, não poderia ela explicar a adequabilidade do meio ambiente. Os seres vivos e o meio ambiente ajustam-se perfeitamente como peças de um quebra-cabeça. O acaso poderia ter produzido uma Terra que fosse adequada sob um determinado aspecto, porém somente o próprio Deus poderia planejar a Terra como ela realmente é, ou foi, antes da queda.

Referências
(l) Henderson, J. Lawrence. 1913. The fitness of the environment. Beacon Press edition, 1958, Boston, p. v
(2) Museum of Antiquity, p. 826.
(3) Romans 1:19, 20, New English Version.
(4) Butts, R. E. 1970. Wm. Whewell's theory of the scientific method. Review in Science, 168:1195, 5 June.
(5) Henderson, Op. cit., p. 7.
(6) Não obstante suas excelentes observações, Henderson não atentou para a adequação do ambiente. Ele procurou uma explicação mecanicista.


Fonte: Folha Criacionista

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013


Deus e o mal – uma outra história

É sabido que a presença do mal no mundo ocupa lugar de destaque nas questões da existência de Deus ou de sua negação. Isso já é lugar comum e assunto chato do ponto de vista da redundância de seu ciclo. Também sabemos que os ateístas e alguns evolucionistas põem esse argumento como o mote central de suas argumentações contra Deus ou a fé.

Asseverações como: “se Deus existe e é bom, como pode o mal existir”, e todas as outras frases dessa linha de pensamento, ou “Deus criou o mundo, criou o homem, portanto, Deus criou o mal e é mal por causa disso”, e todo o blá, blá, blá que vem após isso. Gostaria de me ater a este segundo ponto de discussão, embora não poderei ser tão longo em meus argumentos.

Se “Deus criou o mundo, criou o homem, o homem sendo mal, não pode ser culpado de seus atos porque Deus criou mal”, pode parecer alguma coisa racional, mas não é eficiente no resultado. Vamos partir do princípio condutor das declarações: a concepção judaico-cristã da vida e do mundo. Nela, de fato, Deus criou o mundo, criou o homem, mas o homem se tornou mal pelas escolhas que fez.

Isso, no máximo, significa (para não ser acusado de fundamentalista) que Deus é o autor secundário do mal por ter criado o homem e não o causador do mal no próprio homem. Isto nos leva à outra afirmação, a que Deus é responsável em segundo plano pelas ações más dos homens, ao menos em segunda instância, novamente por causa da criação. Mas isso não resolve o problema total.

Se somente Deus fosse o “culpado” pelo mal no mundo, os que cometem os assassinatos, os estupros, os roubos, a corrupção, as guerras, todas as formas de violências, os abusos infantis, o racismo, os crimes religiosos, os enganos, as trapaças, as mentiras e a lista é quase interminável, jamais seriam responsabilizados pelos seus crimes e erros. No máximo teríamos uma resposta evolutiva como a da seleção natural, que impõe essa “naturalidade” criminosa e pecaminosa no homem.

Todavia, o fato mais claro em qualquer sociedade humana, antiga ou nova, é que os homens são responsáveis pelos seus erros e crimes, não imputando a qualquer divindade a culpa dos mesmos. Não se aceita em tribunal a defesa de que “uma voz”, ou “um espírito”, ou “um deus” me disse para cometer tais atos. Este indivíduo será considerado doente mental, porém cumprirá a sentença dos crimes em local adequado para pessoas mentalmente afetadas.

Outra coisa deixada de lado na matemática filosófica ateísta nos argumentos iniciais é o caso do livre arbítrio. Alguns pensadores fazem um esforço hercúleo para eliminar da equação do mal o livre arbítrio ou simplesmente o poder de decisão pessoal dos seres humanos. Se o livre arbítrio está fora da equação, mais uma vez voltamos à seleção natural que por si só criou em nós as induções imperceptíveis de nossas escolhas no longo processo evolutivo. Mais uma maneira de simplificar o problema, sem dar qualquer resultado.

Creio pessoalmente que Deus assumiu a parte da culpa pelo mal que o livre arbítrio causou na humanidade (assevero que isso é algo pessoal). Ele fez isso de algumas maneiras na História. No início procurou se relacionar com os homens fora de uma base moral elevada (vemos isso por todo o livro do Gênesis), depois gerou a Lei para o povo hebreu, posteriormente enviou os profetas para corrigirem o caminho dos desviantes e, por fim, enviou seu Filho para morrer em lugar de todos os que cressem nele a fim de resgatar o homem ao seu estado original a ponto de o mal não mais afetar as suas decisões.

Deus fez a sua parte na questão do mal e assumiu o seu nível de responsabilidade nisso, mas e o homem? O que vemos o ser humano fazer até hoje é apenas reclamar de Deus, culpá-lo pelos seus próprios erros e ainda por cima, declarar que Ele não existe por causa do mal que prolifera no mundo. O homem faz até hoje o que Adão e Eva fizeram quando foram flagrados no Éden: culpar o outro, que ao final, é também culpa de Deus. “Deus nos criou, nos colocou no jardim, permitiu a tentação e nós caímos. De quem é a culpa? Em última instância, Dele!”

Essa é a mais antiga desculpa que gente irresponsável dá quando confrontada com seus erros e crimes: “Não é culpa minha!”. Mas há uma triste notícia para os culpados: o mal é culpa do homem. Deus já cumpriu sua parte na equação, resta somente o homem cumprir a dele e deixar de ser inconsequente assumindo os próprios erros e crimes, deixando de culpar a Deus, sua existência ou não ou a seleção natural.

Carlos Carvalho


terça-feira, 3 de dezembro de 2013


A Verdade pode sobreviver numa sociedade pós-moderna?

Resumo & Resenha

Este é o título do primeiro capítulo do livro de John MacArthur “A Guerra pela Verdade”. O intuito é fazer uma análise de como o conceito e a busca pela verdade através dos métodos filosóficos, ontológicos e epistemológicos têm fracassado e ao mesmo tempo perdido o devido espaço nas mentes da atualidade. Algumas considerações deste capítulo são tão sérias e importantes que reproduzo aqui sem a necessidade que quaisquer explicações sejam acrescentadas.

Um dos axiomas mais fundamentais, universais e inegáveis de todo o pensamento humano é a absoluta necessidade da verdade. A verdade, para MacArthur, é a autoexpressão de Deus, e ela, por sua natureza, não pode contradizer-se a si mesma. Por isso, a verdade não pode ser explicada, reconhecida, entendida ou definida sem que Deus seja a sua fonte. A verdade e o conhecimento, por si mesmos, simplesmente não possuem uma relevância coerente à parte de uma origem fixa, ou seja, Deus.

A mais valiosa lição que a humanidade deveria ter aprendido da filosofia é que é impossível que a verdade seja compreensível sem que haja um reconhecimento de Deus como o ponto de partida.

MacArthur explicita que o alvo da filosofia humana costumava ser a verdade sem Deus, porém, as filosofias contemporâneas estão abertas à noção de Deus sem a necessidade da verdade. Essa é a “espiritualidade” pessoal, na qual todos têm a liberdade de criar seu próprio deus. Esses deuses pessoais não representam ameaça alguma ao egoísmo pecaminoso, porque, de qualquer forma, eles se adaptam às preferências pessoais de todo pecador e não impõem qualquer exigência a ninguém.

Na sua visão e análise, a modernidade era caracterizada pela crença de que a verdade existe e que o método científico é a única maneira confiável de determinar essa verdade, mas na pós-modernidade, há uma tendência de repudiar a possibilidade de qualquer conhecimento seguro e sólido acerca da verdade.

O pós-modernismo sugere que, se a verdade objetiva existe, ela não pode ser conhecida de modo objetivo ou com algum grau de certeza, porque a subjetividade da mente humana torna impossível o conhecimento da verdade objetiva. Cada pessoa tem direito à sua própria verdade.

Por essa razão, afirma MacArthur, o único objetivo e atividade singular do pós-modernismo é a desconstrução sistemática de qualquer reivindicação da verdade, usando as ferramentas do relativismo, do subjetivismo, da negação do dogma, a dissecação e o aniquilamento de toda definição clara, o questionamento implacável de todo axioma, da exaltação indevida do mistério e do paradoxo, do exagero deliberado de toda ambiguidade e, acima de tudo, o cultivo da incerteza a respeito de tudo.
          
       A verdade é como uma montanha milenar: absoluta, indestrutível, imaculada, inabalável e perene, sempre presente, visível, incontestável, pura e poderosamente concreta. Ao visualizá-la de longe, ficamos assombrados com sua grandeza e beleza, mas ao nos aproximar e penetrar em seu interior (quando possível) descobrimos que há muito mais a se conhecer.


© Carlos Carvalho
27 de novembro de 2013

Referência:


MacArthur, John. A Guerra pela Verdade / John MacArthur. São José dos Campos – SP: Editora Fiel. Reimpressão revisada, 2010. p. 57ss.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013


O Mito dos mitos


J.R.R. Tolkien e Hugo Dyson compartilhavam juntamente com C.S. Lewis a reverência pelo mito, pelo romance e pelos contos de fadas. Em certa e decisiva caminhada noturna, conversaram com Lewis e lhe mostraram que a mitologia revela sua própria espécie de verdade e o cristianismo é mitologia verdadeira. Lewis insistia que os mitos não passavam de “mentiras proferidas por meio da prata”, mas eles responderam que o mito era bem mais explicado como “um vislumbre real, embora desfocado, da verdade divina incidindo sobre a imaginação humana”.

Para eles, a encarnação de Cristo era o ponto principal em que o mito se tornava História. A vida, a morte e a ressurreição de Cristo não só concretizavam o Antigo Testamento, mas também corporificavam – literalmente – motivos centrais encontrados em todas as mitologias do mundo. A visão que Tolkien e Dyson tinham do mito proporcionou a Lewis uma forma de justificar seu eterno amor pela mitologia e de cruzar o limiar da casa da fé cristã. Isso foi decisivo em sua conversão.

Os mitos gregos, as sagas nórdicas e as lendas irlandesas que ele tanto amava já não eram simples tolices escapistas indignas de um ser pensante. Tornavam-se repositórios de verdades ultrarracionais. Proporcionavam percepções, sabidamente parciais e distorcidas, da realidade fora do alcance da indagação lógica. No cristianismo, o verdadeiro mito para o qual todos os outros apontavam, Lewis encontrou uma visão de mundo que ele podia defender como sendo boa e real. O cristianismo passaria a ser, dali por diante, a fonte de todos os mitos e histórias de encantamentos, a chave de todas as mitologias, o mito que desabrocha em história.

Para Lewis, a imaginação passou a ser “o órgão do significado” e o intelecto “o órgão da verdade”. O primeiro gera imagens, metáforas e mitos por meio dos quais nós entendemos o mundo; o segundo pesa, peneira e analisa, discernindo quais produtos da imaginação correspondem mais perto da verdade.


Extraído de:

Downing, David. C.S.Lewis: o mais relutante dos convertidos. David Downing; trad. Almiro Pisetta e Fernando Dantas – São Paulo: Editora Vida, 2006. p. 156 ss.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O ERRO DE DARWIN
(Extraído) 

Como “Artigo do Mês” apresentamos a seguir o texto de autoria de Enézio E. de Almeida Filho publicado em seu blog http://www.pos-darwinista.blogspot.com.br/2010/08/marcelo-gleiser-e-o-errode-darwin.html.

"Devemos julgar afirmações sobre 'teorias de tudo' com enorme ceticismo; nosso conhecimento é limitado"

Em 1859, com o furor de uma mente devota, o já não tão jovem Charles Robert Darwin, com 50 anos, publica seu segundo livro, "On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favored Races in the Struggle for Life" [A origem das species através da seleção natural ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida].
Nele, o então cientista principiante propõe nada menos do que a solução final para a origem das espécies: o plano totalmente natural e mecanicista através da seleção natural. Segundo Darwin, tudo se deu durante uma leitura desinteressada que fez de Malthus em 1837. Segundo sua autobiografia publicada em 1876, quando lia o princípio malthusiano sobre o crescimento geométrico das populações e o crescimento aritmético dos alimentos, Darwin teve um estalo epistêmico à la Arquimedes:
Se a produção de mais descendentes que podem sobreviver estabelece um ambiente competitivo entre os aparentados, e a variação entre eles produziria alguns indivíduos com maiores chances de sobrevivência, se este princípio malthusiano estivesse correto, isso era sintoma de sua aplicabilidade em uma ordem muito mais profunda.
Eureka! Voilá! Talvez a estrutura biológica seguisse as regras da economia. Fosse esse o caso, a mente humana teria acesso direto aos segredos mais profundos da natureza sem precisar de nenhuma ajuda externa. E a língua em comum entre o homem e a origem das espécies somente seria melhor explicada através da seleção natural ao longo de longas eras.
Após várias tentativas teóricas frustradas, Darwin somente obteve a solução epistêmica que tanto almejava após receber em 1858 o ensaio teórico de Alfred Rusell Wallace muito superior às suas ideias. Na época, alguns naturalistas já falavam em seleção natural e outros mecanismos evolucionistas. Mas a seleção natural era invisível aos olhos europeus vitorianos.
Todavia, Darwin, numa sacada genial, pediu permissão aos leitores para “apresentar um ou dois exemplos imaginários [da ação da seleção natural]”: o lobo e a captura de suas presas [pela astúcia, força e agilidade] e o entrecruzamento de duas flores de plantas distintas através de um líquido/néctar também imaginário, que transmitiriam essas características aos seus descendentes, e assim os mais aptos sobreviveriam devido ao processo de preservação contínua. Portanto, a origem das espécies seria, principalmente, segundo Darwin, decorrente da seleção natural entre outros mecanismos evolutivos!
Darwin foi além, mas precavido. Ele tinha plena consciência de que a sua (e de Alfred Rusell Wallace também) teoria da seleção natural, ilustrada com dois exemplos imaginários, sofreria objeções científicas. Mesmo tendo apenas dois exemplos imaginários, Darwin afirmou que “a seleção natural só pode agir através da preservação acumulação de modificações hereditárias infinitesimalmente pequenas, desde que úteis ao ser modificado”.
Para um homem que acreditava profundamente na natureza, nada mais natural do que uma solução natural. Darwin via seu arranjo como a expressão do sonho dos filósofos gregos antigos de obter uma explicação estritamente naturalista para os mistérios do mundo. Para ele, a teoria da seleção natural [o mais importante entre outros mecanismos evolutivos] era a teoria biológica final para explicar a origem das espécies.
Podemos aprender algo com Darwin. Soubesse ele da existência da complexidade irredutível dos sistemas biológicos, e da informação complexa especificada, como teria reagido? Certamente, seu sonho de uma ordem natural para as coisas vivas dependia do que se sabia na época. Seu erro foi ter dado ao estado do conhecimento empírico do mundo o valor epistêmico para o mero acaso, a fortuita necessidade, e a ação cega da seleção através de longas eras, numa teoria de longo alcance histórico de difícil corroboração no contexto de justificação teórica. Uma Theoria perennis. Uma teoria final.
Para Charles Robert Darwin, era inimaginável que a origem das espécies pudesse se desviar desta estrutura de mero acaso, fortuita necessidade, através da seleção natural. No entanto, sabemos que nosso conhecimento do mundo é limitado, e será sempre. Por isso, devemos julgar declarações sobre teorias de tudo ou teorias finais com enorme ceticismo, inclusive a teoria da evolução através da seleção de Darwin. Afinal de contas, a história da ciência nos ensina que o progresso científico caminha de mãos dadas com nossa capacidade de medir a natureza. Achar que a mente humana pode imaginar a origem das espécies antes de verificá-la empiricamente pode, ocasionalmente, dar certo. Mas, em geral, leva a teorias que existem apenas na imaginação.
Como os exemplos de ação da teoria da seleção natural de Darwin, uma teoria nos seus estertores epistêmicos demandando uma revisão nos seus fundamentos, ou simplesmente descarte, e que outra teoria tome seu lugar: a Síntese Evolutiva Ampliada,  que, pelas montanhas de evidências contrárias, não pode mais ser selecionista à la Darwin.

Este artigo é sintomático do que está sendo urdido atrás dos bastidores, mas  que certamente já tem data marcada para ser lançado em breve ao grande público!

SOCIEDADE CRIACIONISTA BRASILEIRA - BOLETIM MENSAL Nº 15 /2013 – SETEMBRO DE 2013
 e-mail: scb@scb.org.br / site: http://www.scb.org.br


sexta-feira, 25 de outubro de 2013


Pedras do sapato da Cosmologia

Em artigo publicado na revista Ciência e Cultura, o professor associado do Instituto de Física da USP, Raul Abramo, disserta sobre o “estranho universo em que vivemos” e nos mostra o que hoje ainda se constitui alguns dos mistérios de nosso universo, como o seu “lado escuro” (a matéria escura), a sua recente aceleração e a energia escura.
O professor nos revela que em resumo, a matéria e energia do universo, se compõem basicamente por:
4% de matéria normal (átomos, estrelas, planetas e, principalmente gás).
26% de matéria escura (que deve ser algum tipo de partícula elementar ainda desconhecida).
70% de energia escura (componente sobre a qual nada se sabe, a não ser que esta deve ser a causa da recente aceleração da expansão do universo).

Segundo o professor Raul, “ninguém pode estar satisfeito com a situação onde, para explicar os fenômenos do cosmos, precisamos apelar para dois tipos distintos de substâncias invisíveis”. A matéria escura poderá vir a ser detectada em experimentos futuros na física de partículas, pois ela já foi prevista nos modelos em que a matéria escura interage, em pequena medida, com as partículas que se conhece em aceleradores como o Cern (sigla da organização da Europa para as pesquisas nucleares).

Porém, segundo o professor, a energia escura, não desfruta da mesma possibilidade. Para ele, não parece haver a “menor perspectiva de jamais ser detectada diretamente em laboratório, ou mesmo por algum telescópio terrestre” e pode alterar as noções básicas do Modelo Cosmológico Padrão (MCP) que se tem hoje. Se essa é a real situação, como ainda podem alguns nos considerar ignorantes quando falamos de Design e Teísmo?

É certo que o artigo do professor Raul não se destina à defesa do teísmo, do ateísmo ou de qualquer outro ponto de vista fora de seu âmbito científico, nem estou dizendo que ele tem esta ou aquela posição em relação aos assuntos da fé ou da não-fé, apenas considerei interessante suas questões sinceras e moderadas sobre o conhecimento ou a falta dele acerca de nosso universo. Sobre isso dá para se pensar bastante, não?

© Carlos Carvalho

Fonte:
O Estranho Universo em que Vivemos. Raul Abramo. Revista Ciência e Cultura, vol.61, n.4. on line version ISSN 2317-6660. São Paulo, 2009. Disponível em:
http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-7252009000400010&script=sci_arttext

Imagem: Aglomerado de galáxias de Coma.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Bíblia & Ciência estrita

Espero não ser mal compreendido com o que escrevo pela comunidade de cristãos que como eu, têm fé sincera em Deus e em sua Palavra. Sou um homem de fé, sou cristão há mais de duas décadas, minha primeira formação é Teologia e, portanto, falo a partir do meio onde vivo e partilho as minhas convicções.

Durante os séculos que chamamos de idade medieval, que certamente se encerrou com o advento da Reforma Protestante, a Igreja Católica detinha o controle das produções científicas e artísticas do mundo que governava. Politicamente e espiritualmente possuía o destino das vidas de milhões de pessoas no mundo de então. Era um poder que poucos desejariam desafiar.

Neste período, mesmo que equivocadamente tentando proteger a fé em Deus (isto por parte de pessoas sinceras que criam de fato nisso, sem mencionar os oportunistas e profanos), essa instituição declarava que as Escrituras era um compêndio não somente de textos revelacionais sobre Deus e seu Cristo, mas também era uma obra de cunho científico, ou seja, adotavam um literalismo bíblico mesmo em questões de ciências.

Ainda hoje esse literalismo bíblico em questões científicas sobrevive e têm adeptos mesmo no meio Protestante e evangélico. Mas a Bíblia não é um livro de assuntos científicos. Mesmo crendo que de fato em suas poucas declarações de ordem científicas ela seja verdadeira, a realidade é que ela se interessa por assuntos como a revelação de Deus, sua relação com o homem e Israel, o conhecimento de Jesus Cristo e a prática da vida piedosa.

Nestes últimos dias tenho lido alguns textos interessantes sobre Calvino e me ative o quanto seus escritos são importantes, mas poucos conhecidos do povo em geral e também dos cristãos atuais. Impressiona-me a sua Teoria da Acomodação, que ele descrevia como um forma de libertar a Bíblia do literalismo da época e para libertar as ciências dando a ela curso livre na busca pela descoberta sobre os detalhes da criação.

Sobre esse aspecto particular apresento algumas porções de textos e frases de Calvino e de outros cientistas que, como ele, tinham uma percepção mais acurada da relação entre a Bíblia e a ciência que nos falta hoje. João Calvino disse:
O ponto principal das Escrituras é trazer-nos a um conhecimento de Jesus Cristo... As Escrituras nos proveem com um espetáculo, através do qual nós podemos ver o mundo como a criação de Deus e sua autoexpressão; elas jamais pretenderam prover-nos com um repositório infalível de informações astronômicas e médicas.

Alister McGrath, comentando a teoria da acomodação de Calvino a resume assim:
Deus, ao se revelar a nós, acomodou-se aos nossos níveis de entendimento e às nossas preferências naturais por meios ilustrativos de compreendê-lo. Deus se revela, não como ele é em si mesmo, mas em formas adaptadas à nossa capacidade humana.

O famoso astrônomo Phillips van Lansbergen (1562-2632), comentando as Escrituras escreveu:
...segundo a situação real, mas segundo as aparências...a Escritura foi-nos outorgada por inspiração de Deus, e deve ser usada para doutrina, exprobração, correção, e para o exercício da probidade, mas não é própria para o ensino da geometria e da astronomia.

Johannes Kepler também escreveu:
As Sagradas Escrituras falam sobre coisas comuns (no ensino daquilo para o qual elas não foram instituídas) a criaturas humanas, numa maneira humana, para que possam ser compreendidas pela humanidade; elas usam o que geralmente é reconhecido pelas pessoas, a fim de fazê-las entender outras coisas, mais elevadas e divinas[1]

O pensamento de Calvino encontrou reflexo até nos escritos de Isaac Newton (1643-1727) e de muitos cientistas cristãos de sua época e posterior. Por isso minha tendência é a de concordar com esses homens que não somente fizeram história com sua vida, estudos e escritos, mas mudaram a própria História da ciência e do mundo Ocidental.

© Carlos Carvalho



[1] Todas essas citações retirei de um excelente artigo de Wilson Porte Jr. no site da revista Teologia Brasileira. No artigo há todas as referências bibliográficas das declarações. Disponível em: http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=350

domingo, 13 de outubro de 2013


Improbabilidade da existência do Universo como o conhecemos

Algumas considerações são extremamente importantes para lançar em nossa mente sérias questões em relação ao modelo científico que tem sido apresentado a nós do universo no qual vivemos.

“Tenho que concordar. O Big Bang grita por uma explicação divina. Obriga à conclusão que a natureza teve um princípio definido. Não consigo ver como a natureza pôde ter-se criado. Apenas uma força sobrenatural, fora do tempo e do espaço, poderia tê-la originado”.[1]

“A existência de um universo como o conhecemos repousa no fio da navalha das improbabilidades.”[2]

“Ao todo, existem quinze constantes físicas cujos valores a atual teoria não consegue predizer. São dadas: simplesmente têm o valor que têm. A lista inclui a velocidade da luz, a potência das forças nucleares forte e fraca, diversos parâmetros associados ao eletromagnetismo e a força da gravidade. A probabilidade de todas essas constantes terem os valores necessários para resultar em um universo estável, capaz de sustentar formas de vida complexas, quase tende ao infinito. E, no entanto, elas apresentam exatamente os parâmetros que observamos. Em resumo, nosso universo é monstruosamente improvável.”[3]

“E claro que a visão de mundo científica não é totalmente suficiente para responder a todas as questões interessantes acerca da origem do universo e não há nada essencialmente em conflito entre a ideia de um Deus criador e o que a ciência revelou. Na verdade, a hipótese de Deus soluciona algumas questões de profundidade mais problemáticas sobre o que veio antes do Big Bang e por que o universo parece tão exatamente acertado para que estejamos aqui.”[4]

Francis S. Collins
A Linguagem de Deus.
(Versão digital. 2007)



[1] A linguagem de Deus. Francis Collins, p. 75
[2] Ibid, p.80
[3] Ibid, p.81
[4] Ibid, p.87