quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Poder de Cura

por Carlos Carvalho


Desde o seu surgimento e desenvolvimento posterior o ser humano tem procurado se utilizar de mecanismos e conhecimentos para a sua própria cura. Desde as ervas medicinais usadas nos povos mesopotâmicos mais primitivos e as mais modernas tribos que ainda existem, os relatos orais de pais e avós transmitidos de geração em geração sobre alimentos e costumes que visam a boa saúde, os escritos milenares como o herbis papirus, talvez o mais antigo documento escrito sobre medicina que se tenha notícia, as Escrituras Judaicas do Velho Testamento com seus costumes de limpeza e higiene popular antigos ou as mais avançadas pesquisas no campo da farmacêutica e genética, apontam para uma só direção: a busca pela saúde do homem.

Seria muito estranho se os cristãos de todo o mundo e em todas as épocas não pensassem ou não se preocupassem com a saúde pessoal. Desde o comportamento alterado pelo Cristianismo no sentido de mudar os hábitos prejudiciais à saúde, como o cigarro, a bebida, o sexo livre e as drogas, até as orações particulares ou coletivas pedindo a Deus a cura, são métodos usados pelos cristãos em toda a sua história.

Agora, pensando num sentido mais espiritual e bíblico, onde encontramos a fonte do poder de cura que subjaz à fé dos que acreditam que de fato, Jesus Cristo pode curá-los das doenças mais atrozes e às mais simples? Quais são as “provas” espirituais que nos fazem ir em direção a essa cura? Se todos, à sua maneira buscam a cura das doenças (sejam médicos, cientistas, espiritualistas, e religiosos de todos os tipos), onde o cristão a encontrará além da medicina?



1º- Em Deus  -  Salmo 103.1-3

“Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.

Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.

Ele é o que perdoa todas as tuas iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades,”



2º- Em sua Palavra  -  Salmo 107.20

“Enviou a sua palavra, e os sarou; e os livrou da sua destruição.”



3º- Em escutar a sabedoria  -  Provérbios 4.20-22

“Filho meu, atenta para as minhas palavras; às minhas razões inclina o teu ouvido.

Não as deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-as no íntimo do teu coração.

Porque são vida para os que as acham, e saúde para todo o seu corpo.”


  4º- No jejum bíblico  -  Isaías 58.6-8

“Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?

Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?

Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda.”



5º- Na fé no nome de Jesus  -  Atos 3.11-16

“E, apegando-se o coxo, que fora curado, a Pedro e João, todo o povo correu atônito para junto deles, ao alpendre chamado de Salomão.

E quando Pedro viu isto, disse ao povo: Homens israelitas, por que vos maravilhais disto? Ou, por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem?

O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus, a quem vós entregastes e perante a face de Pilatos negastes, tendo ele determinado que fosse solto.

Mas vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um homem homicida.

E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.

E pela fé no seu nome fez o seu nome fortalecer a este que vedes e conheceis; sim, a fé que vem por ele, deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde.”



6º- No poder da ressurreição  -  Romanos 8.11 / Filipenses 3.10

“E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.

para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me a ele na sua morte,”



7º- Na oração da fé  -  Tiago 5.15

“E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.”



8º- Na esperança eterna e promessas futuras de Deus  -  Apocalipse 22.1,2

“E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.

No meio da sua praça, e de um e de outro lado do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações”



Carlos Carvalho

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Proteção

Por Carlos Carvalho

Textos Bíblicos selecionados:

“E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado.”

(Gênesis 28.15)

“Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.

Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.

Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.”

(Salmo 91.10-12)

Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.

(Salmo 127.1)

“O qual nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda”

(II Coríntios 1.10)

Quando nos deparamos com textos como esses, basicamente reagimos de duas formas distintas, a primeira: alegramo-nos em saber que Deus dispensa para os seus este tipo de proteção especial; e a segunda: um questionamento sobre por que uma parte das pessoas (incluindo as que consideramos inocentes) parecem não possuir proteção alguma.

Longe de possuir resposta definitiva para o assunto, penso que podemos enveredar por um caminho que, se não nos responder de fato, poderá nos oferecer algo que soe como satisfatório dos motivos do motivo pelo qual essas coisas acontecem. Nada ou ninguém nos proíbe de pensar e refletir sobre o tema.

Penso que a questão da proteção está dividida em três itens, e sobre eles vamos discorrer em termos bíblicos. A essência é usar a Palavra para inferir se há nela algum tipo de resposta para as questões da vida que a cada dia são levantadas. Creio que a proteção passa por atitudes pessoais em áreas distintas, sem as quais não poderíamos desfrutar dela em verdade.

Primeiroexistem os que não pedem por sua proteção. São aqueles que confiam com ingenuidade no sistema ou não consideram que seja necessário fazer qualquer prece por proteção pessoal. Normalmente são arrogantes em relação a Deus e ao seu Cristo e seguros quanto ao serviço e dispositivos de segurança que possuem. E mais, sabendo que somos insuficientes para garantir nossa proteção, não recorrem a Deus em oração diária por ela. Veja o que a Bíblia nos ensina acerca de pedir a Deus por nossa proteção.

“E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.”

(Mateus 6.13)



“E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir;

E eu em paz tornar à casa de meu pai, o SENHOR me será por Deus;

E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo.”

(Gênesis 28.20-22)

“Em ti, SENHOR, confio; nunca me deixes confundido. Livra-me pela tua justiça.

Inclina para mim os teus ouvidos, livra-me depressa; sê a minha firme rocha, uma casa fortíssima que me salve.

Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; assim, por amor do teu nome, guia-me e encaminha-me.

Tira-me da rede que para mim esconderam, pois tu és a minha força.

Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, SENHOR Deus da verdade.

Os meus tempos estão nas tuas mãos; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me perseguem”

(Salmo 31.1-5 e 15)

“Ouve, ó Deus, a minha voz na minha oração; guarda a minha vida do temor do inimigo.

Esconde-me do secreto conselho dos maus, e do tumulto dos que praticam a iniqüidade”

(Salmo 64.1 e 2)

“Livra-me, ó SENHOR, do homem mau; guarda-me do homem violento”

(Salmo 140.1)

Segundohá os que não se preocupam com sua proteção. É possível que algumas pessoas acreditem realmente que nada nunca vai acontecer a elas e vivem como se isso fosse verdadeiro, não levando em consideração a sua própria proteção. Não se apercebem dos horários avançados, os locais que freqüentam ou preocupam-se como deixar claro aos seus entes queridos a sua localização. Vamos às Escrituras e vejamos o que ela tem a dizer a estes.

“Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;

Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem,

E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.

E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.”

(Lucas 4.9-12)

“Mas o que ouve e não pratica é semelhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa.”

(Lucas 6.49)

“O sábio teme, e desvia-se do mal, mas o tolo se encoleriza, e dá-se por seguro.”

(Provérbios 14.16)

“Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte.”

(Provérbios 16.25)

“O prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando”

(Provérbios 22.3.)

Terceiro os que não possuem quem olhe por sua proteção. Neste caso o problema é outro. Estes não têm o que chamamos de intercessores. Seus pais ou parentes não oram por eles. Não há pastores e cristãos que orem por eles. Assim, andam desprotegidos pela vida. Poderíamos usar isso no aspecto social, apontando para os que estão em risco social, mas trataremos aqui apenas do item oração que é feita por alguém. O que vemos nas Bíblia sobre isso?

“Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Talvez pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente.”

“E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía.”

(Jó 1.5 e 42.10)

“Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus.”

(Colossenses 4.12)

“Irmãos, orai por nós.”

(I Tessalonicenses 5.25)

“E quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes vos ensinarei o caminho bom e direito.”

(I Samuel 12.23)

“Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus”

(Atos 12.5)

Ao ponderar sobre esses três aspectos podemos ter alguma luz sobre a questão. É possível que, se de alguma maneira, pudermos manter essas atitudes sobre a proteção, poderíamos, se não eliminar os perigos, ao menos diminuir grandemente o número de vítimas em nossos dias.

Creio que necessitamos de uma educação ou reeducação acerca da proteção ou da segurança pessoal nesta época. Precisamos não apenas de uma política séria de segurança pública, mas também nos educar e conscientizar-nos de que podemos pessoalmente, no âmbito familiar, como sociedade ou como cristãos, fazer a parte que nos cabe, no exercício da nossa segurança pessoal e a de nossos entes queridos.



Paz a todos!





quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A obediência garante os resultados divinos

Por Carlos Carvalho

Deuteronômio 8.20
“Como as nações que o SENHOR destruiu diante de vós, assim vós perecereis, porquanto não queríeis obedecer à voz do SENHOR vosso Deus.”
            Assim iniciamos nossa web desta semana. Com um chamado à obediência ao Senhor Deus e aos seus mandamento e estatutos. Veremos abaixo alguns textos que nos reportam a essa exigência de Deus para seu povo e seus filhos nas Escrituras e a sua atual importância para os nossos dias.


Esse foi o tema da nossa mensagem de domingo(07/08/2011). Obedecer a Deus é a garantia de que os resultados que Deus promete em sua Palavra torna-se-ão reais e se cumprirão cabalmente neste plano de existência no qual estamos. Obedecer dá-nos a chance que estar alinhados com a vontade de Deus e de maneira inexplicável, atrair suas bênçãos espirituais a nós.
            Quando dizemos: “garantir os resultados divinos”, não estamos garantindo todos os resultados humanos, de acordo com todas as vontades humanas ou caprichos pessoais de alguns. Se assim fosse, Deus não passaria de um empregado de alto nível (por sua condição superior) dos desejos dos humanos. Também, esse “Deus”, não deixaria de ser apenas um produto de nossa vontade ou pensamento, criado à nossa imagem e semelhança, dotado de poderes extraordinários, como o gênio da lâmpada de Aladim, pronto a cumprir os nossos pedidos.
            Os resultados esperados não são aqueles aos quais estamos acostumandos no nível administrativo, corporativo ou empresarial, que nos pedem excelência e empenho contínuo na execução perfeita de nossas atividades, embora possamos lançar mão desses princípios e aplicá-los em nossa vida com fins ao aprimoramento pessoal. Se esses fossem os esperados, o Reino de Deus não passaria de uma grande corporação global, com filiais no mundo inteiro, exigindo de seus “colaboradores” compromisso e feedback.
            Tampouco os resultados esperados são o aumento dos números financeiros, do crescimento dos investimentos nacionais e internacionais, da alta lucratividade, do custo-benefício, de cargos e salários ou das elevadas comissões executivas. E ao mesmo tempo, não diz respeito à construção de um “império” particular ou “denominacional”. Desta forma, a Igreja de Jesus seria nada menos que uma agência lucrativa ou uma embaixada corrompida em suas bases por seus embaixadores no poder. Donos de “mini-impérios” que fingem representar um “senhor”, não o Senhor.
            Os resultados garantidos são os desejos de Deus e de seu Cristo. Isto muitas vezes vai contrário à nossa natureza caída, desesperada por prazeres ilícitos e destituída de caráter divino. Os resultados de Deus estão expressos no Livro da Verdade que seu Espírito inspirou e estão disponíveis a todos os seres humanos que decidirem crer no que o próprio Deus estabeleceu como revelação a nós de si mesmo e de sua expressa vontade.
            Textos como os abaixo selecionados nos indicam quais os resultados que podem ser esperados por aqueles que obedecem a Deus e sua Palavra.
Deuteronômio 11.13-15 (a provisão divina).
1 Samuel 15.22,23 (o prazer de Deus).
Isaías 1.19,20 (o bem oferecido por Deus).
Atos 5.27-29 e 40,41 (a alegria em qualquer situação)
Hebreus 11.8-16 (vida futura).
            É claro que existem uma enorme variedade de textos com grandíssimas promessas de livramentos, de milagres, de respostas de orações e ações sobrenaturais de Deus, mas são balanceados com textos de sofrimento, de dores, de derrotas e de silêncio divino. Isso nos indica que as Escrituras foram projetadas para trazer equilíbrio ao ser humano. Para dar aos homens, tanto as vitórias de Deus (quando precisamos de sua intervenção miraculosa), como os consolos de Deus (quando passarmos por situações difíceis e tragédias da vida, onde não vemos a ação de Deus). Esse é o maior de todoas os resultados: uma pessoa espiritualmente madura e equilibrada em Cristo.
            Por fim, a obediência aos mandamentos é a chave-mestra para termos a garantia daquilo que Deus nos prometeu. O maior seguro de todos é a obediência. Obedecer a Deus e sua Palavra não nos decepcionará. Quem se decepciona são aqueles que não compreendem os processos de crescimento espiritual e de ação divina na Bíblia. Quem se frustra são aqueles que esperam resultados que Deus não prometeu e enganam-se dia após dia com esperanças vâs. Os que decidiram por obedecer a Deus, sabem da dificuldade da tarefa, mas conhecem seus benefícios.
Pensen nisso!


¢upakoh - (hupakoe) – Obediência
 
            Na construção desta palavra, encontramos hupo = “debaixo de”, e akouo = “ouvir”. Tem basicamente quatro significados:
  • Escutar – ouvir é simplesmente discernir os sons, mas escutar significa compreender o que se está ouvindo.
  • Atender – é estar pronto a responder de imediato a uma convocação ou chamado.
  • Submeter – é dar espaço ao outro. É colocar-se conscientemente debaixo das palavras de outra pessoa.
  • Ser persuadido – deixar-se ser convencido por outro ou por um argumento.

Carlos de Carvalho
servo de Deus em Cristo Jesus

Ato de Fé

Por Carlos Carvalho

2 Coríntios 5:7

Temos falado e ensinado nestes últimos domingos sobre a fé. Não a “simploriedade” da palavra, destituída de seu significado e descaracterizada por aqueles que nem ao menos se esforçaram para compreendê-la um pouco mais amplamente. Mas fé no seu contexto original – original, não apenas em termos de grego ou “academicismo” fraco, e sim no contexto bíblico no qual essa palavra tem sua importância.
            A fé que nos referimos, no grego pistis, tem a idéia de que a mesma foi construída sobre bases bem claras e, sem elas, não se pode compreender corretamente de que tipo de fé o texto bíblico fala. A fé foi forjada ou gerada em fundamentos tão fortes e poderosos que necessitamos conhecê-los para defini-la com precisão. A fé bíblica não é simples, no sentido de simplório e nem sofisticada, no sentido de que alguns poucos “privilegiados” apenas a podem entender e possuí-la.
            Durante todos esses dias temos demonstrado esses fundamentos, os quais são ao menos os vistos até hoje, cinco:
1.      A fé bíblica fala de um relacionamento correto com a aliança de Deus. Vimos que Deus fez aliança com os homens, ela pode ser rejeitada, porém não pode ser anulada e cabe a cada ser humano se corresponder de forma esperada por Deus em sua aliança oferecida em Cristo. Percebemos que na vida de José que ele possuía um chamado para a aliança por meio dos sonhos que tivera, mas que ele não compreendeu essa responsabilidade e demorou cerca de treze anos até que se cumprissem seus sonhos, que nada mais eram do que os “sonhos de Deus” para ele.
2.      A fé é firmar-se sem hesitação na Palavra de Deus. Vimos como Pedro foi testado na fé quando quis andar sobre as águas e desafiou o Senhor para poder ir em sua direção. Chamado a andar sobre as águas, passou a perceber o que estava ao seu redor, o vento, e logo começou a submergir. Quando dizemos que temos fé pode ser que sejamos provados ao ponto de descobrirmos que de fato não estamos firmados nela e iniciarmos uma descida que, sem a intervenção divina, pereceremos.
3.      A fé é um ato vivo de confiança em Deus. Quando Sadraque e seus irmãos foram colocados diante do rei e questionados acerca do porque não adoravam à imagem que ele tinha mandado construir, os irmãos disseram que não iriam dar nenhuma resposta sobre aquilo e confiavam em Deus que os livraria, mas também disseram que se Deus não os livrasse, mesmo assim não se prostrariam à uma imagem. Todos nós conhecemos o resultado.

4.      Fé significa abrir-se às possibilidades que Deus apresenta. Também ouvimos que Deus nos apresenta possibilidades. Deus é um Deus de possibilidades. Para Ele nada é impossível e tudo é possível ao que crê nele. Esse é o único dos elementos geradores da fé que aponta para os milagres, para o sobrenatural agindo em nós, ao nosso redor e através de nós. Deus fez, faz e fará milagres, independente do tempo, época ou circunstâncias. Mas “possibilidades” não diz respeito apenas a milagres, mas também e tão importante quanto, à situações inesperadas que podem surgir afim de nos fazer crescer em graça e de expressarmos a imagem de Jesus em nossa vida. Abrir-se às possibilidades significa que podemos passar, por vontade de Deus, por circunstâncias não muito agradáveis, mas com objetivos terapêuticos e espirituais em vista.
5.      Fé é ato de viver dirigido para a realidade. Parece-nos um contra-senso essa declaração, mas é plena de verdade. A fé não é uma fuga da realidade, mas o enfrentamento da mesma. Temos visto um número cada vez maior de “pseudo-cristãos” usando uma definição incorreta de fé para fugir à realidade de seus problemas e buscando uma saída “mágica” ou “mística” que os resolvam. Não é pequeno o número dos que, em nome de falsas idéias cristãs, travestidas de “espiritualidade” e palavras escolhidas do vocabulário “evangélico”, engrossam as fileiras daqueles que querem Deus e seu Cristo, mas sem real compromisso aos princípios fundamentais da fé bíblica e cristã. Foi até este ponto que chegamos no caminho sobre a origem da fé. Fé fala de um futuro glorioso que aguardamos em Cristo, mas também fala de realidades que necessitam ser mudadas pelo poder da Palavra de Deus. Nosso grande desafio é viver reconhecendo as realidades que nos cercam, tomando as atitudes necessárias para mudá-las sem um falso “suporte” espiritual que nos engane e nos paralise nas ações, também olhar para o futuro que Deus preparou para nós – o novo céu e a nova Terra – e ao mesmo tempo para o nosso presente, e não esquecermos as realidades ao redor de cada um de nós. Abaixo providencio textos bem práticos e “realistas” da Bíblia que nos mostram a necessidade de observarmos a realidade e de fazer algo para mudá-la ou não.

Provérbios
11.22 / 14.1 / 16.8,25 / 20.4,13 / 22.1 / 23.20,21 / 24.3,4 / 26.27 e 28.19,20
Eclesiastes
3.20,22 / 5.10-15 / 6.3,4 / 7.2-4
Mateus
5.17  / 6.19-24
Marcos 7.34-37
Lucas 9.23-26
João 16.33

Filosofia Concisa

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Leituras Culturais

 por Ed René Kivitz

As culturas devem ser lidas nas linhas e entrelinhas. As linhas falam da coisa em si. As entrelinhas falam do espírito da coisa. As entrelinhas podem distorcer e até mesmo destruir o que está dito nas linhas.

Com a cultura cristã não é diferente. Veja o exemplo da assinatura da Igreja Universal do Reino de Deus, a saber, Jesus Cristo é o Senhor. De acordo com o Novo Testamento, isso significa que devemos viver como escravos dos propósitos de Jesus Cristo: ele manda e a gente obedece, ele propõe e a gente executa, ele dirige e a gente segue, pois afinal de contas, Ele é o Senhor. Mas na cultura da IURD, as entrelinhas dessa afirmação fazem com que ela signifique que Jesus pode realizar todos os seus desejos, afinal de contas Ele é o Senhor. A relação fica invertida: você clama e ele responde, você reivindica e ele atende, você pede com fé e ele lhe dá o que foi pedido, você participa da corrente de oração e se submete aos 318 pastores e Jesus faz a sua vida próspera e confortável, pois Jesus Cristo é o Senhor e você é “filho do rei”, de modo que não há qualquer motivo para que você continue nessa vida miserável, daí a segunda convocação da IURD: “para de sofrer”. Percebe como as linhas dizem uma coisa e as entrelinhas dizem outra?
O movimento evangélico é mestre em fazer confusão e promover distorção do Evangelho em virtude desse jogo de linhas e entrelinhas. Um exemplo disso é a mensagem VAI DAR TUDO CERTO, que recebi essa semana.
SALMO 22
VAI DAR TUDO CERTO
DEUS me pediu que te dissesse que tudo irá bem contigo a partir de agora.
Você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos.
Nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória.
Esta manhã bati na porta do céu e DEUS me perguntou…
‘Filho, que posso fazer por você ?’
Respondi:
‘Pai, por favor, protege e bendiz a pessoa que está lendo esta mensagem’.
DEUS sorriu e confirmou: ‘Petição concedida’.
Leia em voz baixa…
‘Senhor Jesus :
Perdoa meus pecados.
Amo-te muito, te necessito sempre, estás no mais profundo de meu coração, cobre com tua luz preciosa a minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos’.
Passe esta oração a 5 pessoas, no mínimo.
Receberás um milagre amanhã.
Não o ignore.
Deus tem visto suas Lutas.
Deus diz que elas estão chegando ao fim.
Uma benção está vindo em sua direção.
Se você crê em Deus, por favor envie esta mensagem para 20 amigos.
Se acredita em Deus envia esta mensagem a 20 pessoas,
se rejeitar lembre Jesus disse:
“se me negas entre os homens, te negarei diante do pai” Dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa
Deixo de lado a crítica gramatical e o péssimo uso da lingua portuguesa. Dedico minha atenção ao conteúdo da mensagem que, travestida de cristã, é absolutamente anti-cristã: mentirosa, fantasiosa, desprovida de qualquer sentido bíblico, desalinhada com o todo do ensino e experiência de Jesus, seus apóstolos, e seus primeiros seguidores, totalmente alinhada com os dircursos baratos da auto-ajuda e da enganação religiosa, enfim, uma versão barata e piedosinha da superstição sincrética do espiritualismo popular.
A afirmação “vai dar tudo certo”, lida de acordo com as linhas do Novo Testamento, significaria, por exemplo, que os propósitos de Deus prevalecerão, a marcha da igreja de Jesus Cristo contra os poderes do mal será vitoriosa, a vontade de Deus será um dia feita na terra como o céu. Mas também significaria que os seguidores de Jesus seriam sempre ovelhas em meio aos lobos [Mateus 10.16], odiados pelo sistema sócio-político-econômico anti reino de Deus, ameaçados de morte, rejeitados, caluniados, e perseguidos por causa do nome de Jesus [Mateus 5.10-12], e passariam por muito sofrimento e tribulação antes de receberam a vitória plena no reino eterno de Deus [Atos 14.22]. Isto é, antes de dar tudo certo, daria tudo errado.
A convicação de que “em Cristo somos mais que vencedores” [Romanos 8.37], e que “em Cristo Deus sempre nos conduz em triunfo” [2Coríntios 2.14], é também acompanhada de uma profunda compreensão a respeito dos custos de se colocar ao lado de Deus e do reino de Deus, em oposição à injustiça e aos agentes promotores e mantenedores da morte no mundo.
Porque me parece que Deus nos colocou a nós, os apóstolos, em último lugar, como condenados à morte. Viemos a ser um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vocês são sensatos em Cristo! Nós somos fracos, mas vocês são fortes! Vocês são respeitados, mas nós somos desprezados! Até agora estamos passando fome, sede e necessidade de roupas, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo.
[1Coríntios 4.9-13]
Fica, portanto, muito evidente que quando os cristãos do Novo Testamento diziam que “vai dar tudo certo” estavam afirmando coisas completamente diferentes dessas afirmadas na mensagem que recebi pela internet, que diz:
Tudo irá bem contigo a partir de agora.
Você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos.
Nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória.
Cobre com tua luz preciosa a minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos’.
Receberás um milagre amanhã.
Uma benção está vindo em sua direção.
Dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa.
Meu amigo, minha amiga, não é verdade que “tudo irá bem contigo a partir de agora”, e também não é verdade que “você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos”. Não se iluda, pois não é verdade que “nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória”. Preste atenção: o compromisso cristão não suplica que Deus cubra com sua luz “minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos”. Na verdade, o compromisso cristão exige que você deixe de viver para seus sonhos, seus planos e seus projetos e passe a viver para Deus, pois, como ensina a Bíblia, “o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou“ [2Coríntios 5.14,15], e justamente por isso é que quem deseja seguir a Jesus deve lmebrar o que Jesus disse:
“Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?” [Mateus 16.24-26]
Também não é verdade que “receberás um milagre amanhã” e que “dentro de quatro minutos te dirão uma notícia boa”.
Pelo amor de Deus, jogue fora esse evangelho açucarado, que promete o que Deus jamais prometeu, e gera falsas esperanças nas pessoas. Respeite o sofrimento e a dor das milhares de pessoas que, apesar de sua fé, e talvez justamente por causa de sua fé, passam fome, não têm mínimas condições de sobrevivência, sofrem as consequências de tragédias pessoais e fatalidades naturais, são vítimas de um sistema mundano cruel, que as condena à escravidão e a uma vida sem futuro. Lembre dos cristãos que vivem na África, na Índia, na América Latina, e nos rincões miseráveis do Brasil. Seja solidário com as minorias: os negros escravizados, as mulheres violentadas, as crianças abusadas, as populações indígenas dizimadas, os refugiados de guerra, os perseguidos políticos, os desaparecidos. Respeite a grandeza dos cristãos perseguidos e mortos sob a tirania do fundamentalismo islâmico e dos regimes políticos ateístas. Pense um pouco se essa mensagem “vai dar tudo certo, todos os seus sonhos se realizarão, você vai receber um milagre amanhã” faz algum sentido na ala infantil do Hospital do Câncer, no campo de refugiados (mutilados) de Angola, ou nos casebres secos do sertão brasileiro.
Construa sua fé sobre um alicerce mais sólido. Por exemplo, o Salmo 22, aviltado com essa mensagenzinha “vai dar tudo certo”. Aliás, é bom lembrar que Bíblia não é um livro que pode ser manuseado por qualquer pessoa, de qualquer jeito. Da mesma maneira que não é qualquer pessoa que pode dar palpite a respeito do direito, de medicina, da engenharia, ou do marketing, também a teologia exige um mínimo de preparo, senão, muito preparo mesmo. Digo isso porque talvez o autor dessa mensagenzinha não saiba que o Salmo 22 é um dos Salmos messiânicos, que profetiza o sofrimento e o fracasso do Messias, que foi (1) abandonado por Deus e pelos homens [Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio! Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra], (2) rejeitado [Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo], (3) insultado [Caçoam de mim todos os que me vêem; balançando a cabeça, lançam insultos contra mim], (4) dilacerado pela dor que lhe foi brutalmente imposta [Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo. Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte. Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram minhas mãos e meus pés], e por fim (5) cuspido na cara e crucificado como impostor.
Para esse Messias não deu nada certo. Ele não recebeu uma boa notícia quatro minutos após sua agonia no Getsêmani, e também não recebeu um milagre no dia seguinte. No dia seguinte foi crucificado.
Mas esse Messias, apresentado pelo profeta como “homem de dores, que sabe o que é padecer” [Isaías 53], “Deus exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” [Filipenses 2.9-11]. Isso sim é dar tudo certo.
Provavelmente alguém vai dizer que é isso o que a mensagenzinha da internet quis dizer. Mas não foi. Nas linhas, pode ter sido. Mas no contexto da religiosidade popular e da subcultura evangélica, a mensagenzinha sugeriu que “os seus sonhos e os seus projetos” darão certo, e que você pode esperar para amanhã aquela resposta milagrosa de Deus para resolver seus problemas e dificuldades particulares, e que em quatro minutos você vai receber uma notícia boa, muito provavelmente trazendo a você uma benção na forma de conforto e prosperidade.
Em síntese, a mensagenzinha pode ser interessante, pode trazer uma esperança e um conforto para quem está lutando contra um sofrimento ou uma dificuldade medonha, e pode até mesmo trazer um alívio do tipo “eu sei que não é bem assim, mas é bom pensar que é, ou acreditar que pode ser”. Mas definitivamente essa mensagenzinha não tem nada a ver com o Evangelho de Jesus Cristo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Dia Internacional do Homem

Por Carlos Carvalho

Ficheiro:International Men's Day Symbol.JPG
(Dia Internacional do Homem Símbolo)

O Dia Internacional do Homem é um evento internacional celebrado em 19 de Novembro de cada ano. As comemorações foram iniciadas em 1999 pelo Dr. Jerome Teelucksingh em Trinidad e Tobago, apoiadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e vários grupos de defesa dos direitos masculinos da América do Norte, Europa, África e Ásia.
Os objetivos principais do Dia Internacional do Homem é melhorar a saúde dos homens (especialmente dos mais jovens), melhorar a relação entre gêneros, promover a igualdade entre gêneros e destacar papéis positivos de homens. É uma ocasião em que homens se reúnem para combater o sexismo e, ao mesmo tempo, celebrar suas conquistas e contribuições na comunidade, na famílias e no casamento, e na criação dos filhos.
A data é oficialmente celebrada em Trinidad e Tobago, Jamaica, Austrália, Índia, Estados Unidos, Cingapura, Brasil (com destaque para Manaus e São Paulo), Reino Unido e Malta, mas o apoio global à data é amplo. No Brasil a cultura popular dedica o dia 15 de Julho como dia do Homem.
Na verdade, o dia 15 de Julho é oficialmente o Dia dos Clubes e acredito que não foi uma boa idéia aculturar aqui no Brasil esta data para o Dia do Homem. Acho que fizeram isso por causa da relação do homem com seu esporte preferido ou coisa parecida. Paciência! Mas vamos ao que nos interessa.
Quero apenas iniciar aqui uma instigação ao pensamento de todos os que partilham de nossas redes. Vejo o homem, o gênero masculino como um alvo duplo: o “bicho” caçado e o ser em desgaste. Quero começar uma pequena discursão por este viés e gostaria de ter comentários de alguns pensantes.
Caçado, por que acredito ser o homem o alvo preferido das mulheres (falo em vários aspectos!). Esses dias minha esposa chamou-me para ver uma matéria postada em um site que trazia informações de como uma moça ou mulher poderia enganar seu homem para que ele não percebesse que não era o primeiro a ter relações com ela. Ensinava a iludir e enganar o homem para que a mulher não fosse desprezada pelo parceiro só porque ele era o segundo, o terceiro e etc. Imaginem o que essas “revistas especializadas” ensinam às mulheres afim de que as mesmas dominem “seu homem” e o mantenham assim? O que por sinal, virou um objeto de consumo de algumas!
Caçado ainda pelos gays (não me interpretem mal!). Numa relação homoafetiva (acredito que esteja certo), sempre haverá de ser substituído por um dos parceiros o papel da figura do homem. Não há na relação homoafetiva o papel homem-homem ou mulher-mulher, no final, fatalmente um dos dois terá de fazer o papel que caberia ao homem numa relação hetero. Me parece que disso, a relação homoafetiva nunca se libertará.
Ao “ser em desgaste” me refiro àquele que é sempre o centro das oposições. É o homem que é o “dominador”, o “machista-chauvinista”, o “manda-chuva”, e outros adjetivos perniciosos não lhes faltam no calor das discussões, artigos, entrevistas e até no meio acadêmico, quando querem se promover às custas do “tirano”.
Não bastasse toda uma enorme oposição ao gênero masculino que permeia toda a mídia sem excessão, ele ainda tem que ser humilhado diariamente por propagandas como a da empresa Bombril, livremente veiculadas na internet (tenho uma coleção delas!) e peremptoriamente repassadas nas “brincadeiras” femininas em muitos lugares de nosso país.
Em desgaste por parecer que o gênero masculino é desnecessário, obtuso, inadequado e está em extinção. Não se leva em consideração a necessidade psicológica que a sociedade e a família tem do homem; não se leva em consideração os sentimentos do próprio homem; não se percebe a grande importância que o gênero masculino tem na história humana e atual e não se antevê o mal que pode vir por destruir a identidade masculina em alguém.
Não vou me delongar mais, por enquanto é só. Pensem nisso!
Paz a todos!


terça-feira, 28 de junho de 2011

É das crianças o reino dos céus?

[Por Luiz Sayão]

Nos últimos meses, a sociedade tem estado abalada pelo destaque dado pela mídia aos crimes contra crianças. Num ambiente eticamente caótico, onde o aborto é aclamado como direito, multiplicam-se notícias de mães que jogam recém-nascidos no lago, no lixo etc. (matando-os fora do ventre). Crimes como os perpetrados contra o menino João Hélio e contra a menina Isabella Nardoni, acrescidos da monstruosidade do austríaco Josep Fritzl, que estuprou a própria filha por anos e com quem teve sete filhos, tem causado um mal-estar insuportável em grande parte da população. Infelizmente, a verdade é que nossa sociedade começa a colher os frutos de seu afastamento de Deus. A verdade é que a rejeição a Deus produz egoísmo, idolatria, imoralidade sexual e violência (Gn 6; Rm 1). As crianças, muito mais frágeis, são as principais vítimas dessa sociedade cruel e perversa: aborto, maus tratos e pedofilia fazem parte do cotidiano.
Em meio a tanta barbaridade, a morte e o sofrimento de crianças como essas levam muita gente a procurar entender a situação das crianças perante Deus. Afinal, o que acontece com uma criança depois da morte? As crianças são de fato inocentes, como sugere a crença popular? E até que idade esta inocência persiste? Afinal, não foi o próprio Jesus que disse que “delas é o Reino dos céus”? Como entender esta questão tão complexa?
Em primeiro lugar, é necessário destacar que as crianças são pecadoras desde o nascimento, conforme o Salmo 51.5. Ninguém nasce inocente. Todos nós somos pecadores por natureza. Portanto, a crença de que as crianças são “anjinhos” não tem fundamento nas Escrituras. Todavia, as crianças são evidentemente “inocentes” no sentido de que não fazem tanta maldade premeditada e trabalhada, como fazem os adultos. Em geral, as crianças são mais transparentes, sinceras e capazes de perdoar do que a vasta maioria dos adultos. Essa candura infantil parece estar refletida em alguns textos bíblicos:
“E disse: Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus” (Mt 18.3,4).
“E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles. Pegando-a nos braços, disse-lhes: Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, não está apenas me recebendo, mas também àquele que me enviou” (Mc 9.36,37).
“Mas quando os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei viram as coisas maravilhosas que Jesus fazia e as crianças gritando no templo: Hosana ao Filho de Davi, ficaram indignados, e lhe perguntaram: Não estás ouvindo o que estas crianças estão dizendo? Respondeu Jesus: Sim, vocês nunca leram: Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos suscitaste louvor?” (Mt 21.15,16 – citação do Sl 8.2).
Esses textos refletem a idéia de que o próprio Jesus se identifica com as crianças e que, além disso, a criança é o padrão de espiritualidade desejado por Jesus. A criança possui humildade e sabe apresentar o louvor perfeito. Aqui há um contraste com a mentalidade religiosa dominante da época, quando o padrão de espiritualidade era o homem ancião.
Apesar disso, essa pureza infantil e essa sinceridade extraordinária dos pequenos não são suficientes para protegê-los espiritualmente. Em Marcos 9.21,22, lemos que um menino era possesso de um espírito mau desde a infância:
“Jesus perguntou ao pai do menino: Há quanto tempo ele está assim? Desde a infância, respondeu ele. Muitas vezes esse espírito o tem lançado no fogo e na água para matá-lo. Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.”
As Escrituras fazem distinção entre crianças que estão debaixo de proteção divina por serem filhos de gente que está em aliança com Deus (1 Co 7.14). Portanto, parece razoável concluir que há crianças sob a influência do mal e crianças sob a bênção protetora de Deus. É muito provável que a idéia de “anjos da guarda”, mencionada em Mateus, refira-se a estas crianças, chamadas de santas em 1 Coríntios 7.14:
“Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu lhes digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste” (Mt 18.10).
Assim, vemos que as crianças podem ser abençoadas e especialmente protegidas por Deus, mas há também aquelas que estão afastadas de Deus e que não estão sob a mesma proteção espiritual. Se este é o caso, como então entender que Jesus afirmou que o Reino dos céus é das crianças? Como pode ser isso? A resposta para esta pergunta está na tradução equivocada do texto grego em Mateus 19.14. A verdade é que a tradução comum do texto em diversas versões antigas que afirma que “o Reino dos céus é das crianças” está errada. O grego toiouton não se refere às crianças e deve ser traduzido conforme, por exemplo, a NVI, e é compatível com Mateus 18.3,4:
“Então disse Jesus: Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas.”
Portanto, devemos concluir que as crianças não herdam o Reino dos céus automaticamente só por serem crianças. Isso significa que nem todas as crianças são salvas, ao contrário da crença popular. Se fosse verdade que todas as crianças são salvas, seria necessário impedir que elas se tornassem adultas. A consciência adquirida na fase adulta seria a maior maldição da vida. Será que poderíamos considerar Herodes, o assassino dos bebês, como um evangelista? Teria ele enchido o céu?
É muito mais provável que haja crianças salvas e crianças perdidas. A verdade é que nenhum texto bíblico fala aberta e claramente sobre o assunto. Todavia, não é possível sustentar a salvação garantida a todas as crianças. É possível que as crianças, filhas de cristãos, sejam salvas, mas isso não pode ser provado. A outra possibilidade é que isso seja decidido a partir da decisão soberana de Deus. Isso não é impossível. Todavia, é preciso reiterar o fato de que a convicção de que todas as crianças são automaticamente salvas fundamenta-se numa tradução equivocada da Bíblia.

[Revista Enfoque-Edição 83 - JUN / 2008]